ABIN – AGÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO SEM HISTÓRIA PATRIÓTICA.

Por Policarpo Junior – reproduzido da Veja

Imagem:resistenciademocraticabr.blogspot.com

A Revista Veja na edição de 16 de Abril de 2002, com o título “Os tentáculos da FARC no Brasil”, publicou a denúncia de uma suposta doação das Farc, em 2002, para a campanha eleitoral do Presidente Lula e do PT. Segundo o artigo da revista, o representante das FARC, Francisco Antonio Cadenas Collazzos, conhecido no Brasil mais como “Padre Medina” (esse que recebeu asilo político do Brasil), teria anunciado uma doação de 5 milhões de dólares do exército guerrilheiro para o PT, no dia 13 de abril de 2002, numa chácara localizada nos arredores de Brasília.

A denúncia na época, provocou a abertura de uma CPI que foi presidida pelo Senador Cristovam Buarque (então ainda no PT), e durante a qual o general Jorge Armando Felix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, confirmou a informação dada pela reportagem da VEJA, dizendo que, de fato, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) guardava em seus arquivos um documento que informava que as Farc planejavam dar 5 milhões de dólares à campanha do PT.

O auxílio financeiro aparecia no documento número 0095/3100, datado de 25 de abril de 2002 e classificado como “secreto”. O general disse na CPI que a informação sobre a doação não foi levada a sério pela Abin, que a havia encarado como “um boato” e que, portanto, arquivara o documento. O general explicou ainda que catalogaram como “secreto” aquilo que não passava de “boato” para evitar o vazamento da informação e sua exploração eleitoral contra o então candidato oposicionista Luiz Inácio Lula da Silva.

Entretanto, duas outras testemunhas do caso – um agente da Abin e seu ex-superior, o Coronel Eduardo Adolfo Ferreira – disseram à Veja que, ao contrário do que disse o general Jorge Felix, a Abin não desprezou o conteúdo do documento. As investigações sobre a guerrilha colombiana, iniciadas em 2000, eram tratadas como assunto ultra-secreto. Para evitar vazamentos, os relatórios eram digitados no gabinete do então diretor de Inteligência, José Milton Campana (que no governo do PT acabou sendo promovido a diretor adjunto da Abin), onde, além dos diretamente envolvidos no caso, apenas um analista de informações e um assessor tinham acesso ao material. Segundo o Coronel, foram feitos três memoriais completos sobre o caso, que foram encaminhados diretamente à então diretora da Abin, Marisa Del’Isola.

A Abin em São Paulo obteve três ordens de pagamento, somando cerca de 1 milhão de dólares, com indícios de que se tratava de parte do dinheiro das Farc para o PT. Os indícios eram fortes, mas ainda não constituíam provas; porém, a investigação parou quando o PT ganhou as eleições.

O coronel, de 49 anos, trabalhou por sete anos na Abin e deixou o posto em julho de 2003, por causa de divergências em relação à condução do caso Farc. Posteriormente foi para o departamento de inativos e pensionistas da Polícia Militar do DF. O coronel sempre esteve ligado à área de informações. Pertenceu ao Centro de Informações do Exército e chefiou o serviço de inteligência da PM do DF.

No dia 17 de Março de 2005, o senador Cristovam Buarque deu por encerrada a CPI que investigava a denúncia da susposta doação das Farc para o PT. A Comissão ficou satisfeita com as explicações dos responsáveis pela Abin: o General Jorge Félix e o diretor Mauro Marcelo. As investigações, entretanto, não levaram em consideração os testemunhos do agente da Abin e do seu ex-superior, o Coronel Eduardo Adolfo Ferreira, apesar de os dois terem corroborado a história publicada pela revista Veja.

O diretor adjunto da Abin, Mauro Marcelo, acabou renunciando ao cargo em meio à crise do mensalão, quando a Abin foi acusada pelo ex-deputado Roberto Jefferson de ter sido usada pelo Ministério da Casa Civil, sob o comando do então Ministro José Dirceu, para colher informações que poderiam ser usadas como material de extorsão ou perseguição. Prática, aliás, que veio a atingir o seu ápice, quando o caseiro Francenildo teve sua conta bancária e sua vida ilegalmente devassadas sob as ordens de gente poderosa dentro do governo.

Fonte:http://rascunhosderebecca.blogspot.com.br/2008/08/laos-explosivos-os-tentculos-das-farc.html

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