VALE : “LEVARÃO VÁRIOS ANOS PARA O RIO DOCE SE RECUPERAR DOS REJEITOS MORTAIS.”

Por Frik Els – reproduzido de MINING.com – editado p/Cimberley Cáspio

Imagem: blog noite sinistra / Tragédia de Aberfan- País de Gales,1966 – todas às crianças foram enterradas em uma mesma vala no cemitério local.

 

Vale (NYSE: VALE)  A Companhia Vale do Rio Doce, proprietária da Samarco, revelou na segunda-feira que levarão vários anos para o rio Doce se recuperar dos rejeitos mortais despejados em suas águas devido uma “explosão” na mina de minério de ferro que possui em conjunto com BHP Billiton .

Em uma  atualização na sexta-feira, a BHP também revelou que resíduos de mistura de água, ferro e outros materiais, como a sílica – já alcançaram 440 quilômetros (273 milhas) a jusante no estado do Espírito Santo através de distritos rurais e cidades a partir do local da mina no estado de Minas Gerais . O acidente deixou nove pessoas mortas e 15 ainda estão desaparecidas e 11 comunidades afetadas.

A BHP disse que 600 pessoas que perderam suas casas foram colocadas em hotéis enquanto imóveis para locação estão sendo considerados. O operador da mina, a Samarco, cessou imediatamente os trabalhos quando a Barragem Fundão cedeu. A licença de exploração mineira da empresa foi suspensa e todos os trabalhadores colocados em licença remunerada.

De acordo com autoridades estaduais e federais, a Samarco na segunda-feira  concordou pagar  preliminarmente 1 bilhão de reais (cerca de $ 260.000.000) para cobrir os custos de limpeza, que poderão gerar milhões de dólares em pedidos de indenização.

Os dois gigantes da mineração já foram multados em 66 milhões de dólares pelo governo brasileiro  e a Vale informou nesta segunda-feira que os custos de multas já ultrapassaram o seguro contra danos civis.

A partir dessa tragédia, a BHP realizará uma revisão em outras duas joint ventures na América do Sul com  estrutura semelhante à Samarco. De acordo com uma transcrição da gigante anglo-australiana haverá revisão na reestruturação da mina de carvão na Colômbia, Cerrejón, detida em partes iguais com a Anglo American e Glencore.

Outra joint venture com a Glencore, Antamina, a maior mina de cobre e zinco do Peru, também passará pelo mesmo processo de revisão. A BHP e Glencore, detêm cada uma, 33,7% de participação com a canadense Teck Resources e 22,5% da japonesa Mitsubishi.

No mais, a indústria de mineração não foi capaz de aprender as lições do passado. Aqui estão alguns exemplos de ocorrências passadas similares. Mufulira, mina de rejeitos, desastre na Zâmbia com 89 mortos, Harmony Gold, Merriesspruit, África do Sul, em 1994, 17 mortos, o desastre de Aberfan no País de Gales, em 1966, 100 crianças em idade escolar foram enterradas vivas… A lista é grande e continua sem um fim à vista. São empresas de mineração, com graves falhas de engenharia, expondo à morte, comunidades inteiras.

Por outro lado, a indústria de mineração vem se esforçando muito para convencer às comunidades perimetrais,com o argumento de que toda à operação é segura, tanto humana como ambiental. E que tais comunidades localizadas no perímetro das minas, deve descartar essas preocupações. Mas o que à história relata, é totalmente o contrário.

Não admira por isso que muitas comunidades estão agora resistindo à atividades de mineração em suas terras.

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