BANCO HSBC: COMO NASCE E COMO SE DESENVOLVE UMA ORGANIZAÇÃO TERRORISTA.

Por Fórum Anti Nova Ordem Mundial – editado p/ Cimberley Cáspio

Imagem: mafarricovermelho.blogspot.com

Um novo relatório da Subcomissão Permanente do Senado dos EUA acerca das Investigações acusa HSBC de expor o sistema financeiro dos Estados Unidos aos riscos que derivam duma ampla gama de ilícitos. O relatório de 335 páginas, U.S. Vulnerabilities to Money Laundering, Drugs, and Terrorist Financing: HSBC Case History (“Vulnerabilidade dos Estados Unidos à lavagem de dinheiro, drogas e financiamento do terrorismo: o caso HSBC“) foi publicado no final de uma investigação de um ano acerca da filial americana da HSBC, a HSBC Bank USA, mais conhecida como HBUS. 

O que há nesse relatório? Muitas coisas: entre os serviços oferecidos pelas agências e correspondentes bancários do HSBC.Há negócios ligados ao terrorismo, o transporte aéreo ou em carros blindados de bilhões de Dólares em dinheiro por meio do departamento London Banknotes, envolvendo compensação de cheques de traficantes de droga mexicanos e de mafiosos russos através das Ilhas Cayman. Da sede de Londres, os managers do banco fornecem aos criminosos o que for preciso para organizar as atividades ilegais. 

Somente em 2008, o Senado revelou que a agência do banco nas Ilhas Cayman geria 50.000 contas bancárias e conseguiu fazer desaparecer 7 bilhões de Dólares em dinheiro do México e fazê-los reaparecer nos Estados Unidos. 

Afirma o Presidente da Subcomissão Carl Levin: Uma maneira de trabalhar profundamente poluída por um longo período de tempo. Vai demorar para que o banco possa mudar de rumo.

E que diz o banco? O porta-voz do HSBC, Robert Sherman, num comunicado que foi enviado por e-mail, afirmou: “Reconhecemos que, no passado, não fomos capazes de satisfazer as necessidades dos órgãos reguladores e dos clientes [o que tecnicamente não é correto: parte deles com certeza estavam bem satisfeitos. Vamos pedir desculpa, vamos reconhecer tais erros, vamos responder pelas nossas ações e vamos fazer um esforço para corrigir o que deu errado.

Mostrando arrependimento, o diretor executivo de cumprimento das normativas do banco, David Bagley, disse à comissão:”Apesar dos melhores esforços e das boas intenções de muitos profissionais dedicados, o HSBC não está a altura das nossas próprias expectativas e das expectativas dos nossos reguladores. Recomendo ao grupo que este é o momento certo para mim e para o banco, a fim de que possa ser outra pessoa a desenvolver a função de diretor executivo do grupo.

E, tanto para ser coerente, logo a seguir Bagley pediu demissão. Uma grande performance, que teria sido perfeita só se alguém tivesse falado da compensação milionária que será recebida pelo mesmo Bagley. O qual, que fique claro desde já, nem um dia na prisão passará. Nem ele, nem Lord Stephen Green, ex-Presidente e Chefe Executivo do HSBC, atualmente Ministro de Estado pelo Comércio e Investimento no governo inglês (frase célebre: “O mercado necessita recuperar a noção do que é certo e apropriado para fazer negócios”, The Independent, 02 de Março de 2009). 

Entre 2003 e 2010, Lord Green estava no comando de várias operaçóes que envolviam The Bank of Bermuda Ltd., HSBC Mexico SA, HSBC Private Banking Holdings (Suiça) SA e HSBC North American Holdings Inc., todos os principais atores dos escândalos mencionados no relatório. Um homem com faro, sem dúvida: no ano passado abandonou o barco e juntou-se ao governo conservador de David Cameron. 

Mas a plena responsabilidade de Green ficou demonstrada no Senado, que também citou os correios eletrónicos enviados pelo mesmo. Que reagiu assim (The Telegraph, 25 de Julho de 2012): Não acho que tenho de responder por ações particulares, como presidente e diretor duma empresa sou responsável por aquilo que a sociedade faz. HSBC tem lamentado as falhas, eu compartilho este arrependimento. Ou seja: está arrependido, e sobra arrogância. Nada de considerar a demissão do governo de Cameron, nem pensar, pois Green afirma estar muito ocupado no papel que lhe foi atribuído. E se estiver ocupado, bom, não há muito para fazer. Doutro lado, demitir-se porquê? Não tinha sido ele o mesmo Lord Green, bispo ordenado da Igreja da Inglaterra, que publicou o livro “Bons Valores: reflexões sobre o dinheiro, a moralidade e um mundo incerto”? 

Todas as atenções, portanto, estão concentradas no sucessor de Lord Green, Stuart Gulliver, que ainda antes de dizer “lamento”, já avisou os funcionários para que seja feito o “melhor” e definiu como “inaceitável” a atitude da empresa.

O “Melhor”? “Inaceitável”? Mas onde trabalhava Gulliver antes de ser eleito presidente do HSBC? Resposta: no HSBC, como diretor da filial americana (a HBUS), do HSBC Latin American Holdings Ltd. e da HSBC Bank Middle East Ltd, as mesmas filiais repetidamente citadas no relatório do Senado. Trabalhos para os quais Gulliver recebeu, em 2010, 9 milhões em ações além da paga base de 826.000 Libras (1.200.000 Dólares, mais ou menos).

Mas voltamos ao relatório, que fala abertamente de “financiamento ao terrorismo”. Uma acusação particularmente pesada, sobretudo num País, os Estados Unidos, que fizeram da luta ao terrorismo um autêntico grito de guerra. Por isso: o que significa “financiamento ao terrorismo”?

Bancos, religião, banditismo

Anos antes dos aviões (?) se despecarem nas Torres Gémeas e no Pentágono, matando quase 3.000 pessoas, os serviços secretos americanos tinham começado a investigar as ligações fraternas entre os bancos de dados usa-deita de Osama Bin Laden, isso é, Al-Qaeda, e importantes instituições financeiras. 

No livro de 1999 Dollars for Terror (Dólares para o Terror), o jornalista Richard Labévière regista as palavras de um antigo analista da CIA: “A política de orientar a evolução do islamismo e ajudar os muçulmanos contra os nossos adversários funcionou maravilhosamente no Afeganistão contra o Exército Vermelho. As mesmas ténicas podem ainda ser usadas para desestabilizar o que resta do poder russo e acima de tudo conter a influência da China na Ásia Central.”

O alvorecer de uma nova Guerra Fria? Não. Na verdade era mesmo Guerra Fria, só que desta vez estava elegantemente disfarçada como think-tank e ONGs ocidentais: numa época caracterizada por constantes fluxos de informações, é fácil pegar nos velhos hábitos e rotulá-los como “intervenção humanitária” ou “defesa da liberdade”.

Apesar da fachada, o terrorismo islâmico (ou alegado tal) forneceu uma importante contribuição à causa americana: permitiu intervir no âmbito das soberanias nacionais com o álibi da “luta ao terrorismo”, tornando privados (dos bancos) patrimónios públicos. O mesmo Labévière fala em “privatização da violência e privatização da economia que tornaram-se paradigmáticas”:

Na verdade, deixando de lado qualquer motivação religiosa, a Jihad está a tornar-se uma atividade com fins lucrativos. Transformou-se numa organização mafiosa que afunda no puro banditismo. Em muitos casos, a ideologia islâmica é usada como um funcionário modelo que trabalha duro para desenvolver o banditismo em todas as suas formas. 

Os delegados de Bin Laden foram muito bem recebidos pelos legais das sociedades de Wall Street e das Bahamas, pelos administradores em Genebra, Zurique e Lugano, ou nas salas de chá de Londres. Labévière até perguntou se estas novas formas de terrorismo não escondem na verdade uma fase superior do Capitalismo.

Claro que ao falar de Bin Laden falamos da fachada, da ação de marketing: os responsáveis, os arquitetos destas operações, que não vivem em grutas no meio do Afeganistão.

Para perceber como pode nascer e desenvolver-se uma organização terrorista temos que seguir outros trilhos: velhos agentes da CIA ou do Pentágono, dinheiro, bancos. E se HSBC pode ter feito vista grossa perante o financiamento ao terrorismo, outros bancos parceiros parecem bem mais envolvidos no surgimento “do nada” desta nova “Finança”. Como o banco Al Rajhi Bank de Riyadh, a maior instituição financeira privada da Arábia Saudita. 

Com ativos na ordem de 59 bilhões de Dólares, o Al Rajhi está entre os mais ricos do reino. Os investigadores descobriram que, após 9/11 foram encontradas evidências de que o banco Al Rajhi e alguns dos seus donos tinham ligações com organizações associadas ao financiamento do terrorismo e também que um dos fundadores do banco tinha sido um benfeitor financeiro da Al-Qaeda. Enquanto a família Al Rajhi nega qualquer papel neste aspecto, não respondeu abertamente às acusações dos investigadores e dos tribunais competentes, invocando o direito de confidencialidade dos seus clientes. 

O repórter Glenn R. Simpson provou que, de acordo com um relatório da CIA em 2003, um ano depois de Setembro de 2001 o Sr. Al Rajhi ordenou que o Conselho de Administração do banco encontrasse instrumentos financeiros que permitissem que as contribuições de caridade feitas pelo banco evitassem o escrutínio dos funcionários do governo saudita. Poucas semanas antes, como revelou o Wall Street Journal, o Sr. Al Rajhi tinha transferido 1,1 bilhões de Dólares em contas no estrangeiro, através do mecanismo de compensação e de dois bancos libaneses, preocupado de que as autoridades dos EUA e da Arábia pudessem congelar os seus bens. Este relatório foi chamado de “Al Rajhi Bank: extremismo financeiro”. 

Apesar da inteligência dos EUA reconhecer que os terroristas usassem as filiais remotas do banco e os serviços de transferência de dinheiro sem o conhecimento direto do mesmo banco, os analistas da CIA tinham chegado à conclusão de que “membros da família Al Rajhi sempre apoiaram os extremistas islâmicos e, provavelmente, sabiam que os terroristas estavam usando o banco.” 

É verdade que é preciso aproximar-se dos relatórios da CIA sempre com uma saudável dose de ceticismo, especialmente à luz do hábito da CIA usar os extremistas (como Al-Qaeda) como próprias armas. E o fato das administrações Bush e Obama terem ignorado estas informações explica muito acerca das reais intenções políticas de Washington.

Todavia é certo que Lord Green e outros funcionários do HSBC estivessem cientes das acusações da CIA e com certeza a inteligência britânica MI6 tinha advertido as chefias do banco sobre os riscos envolvidos.

Nota do Editor: nada muito diferente da Operação Lava Jato aqui no Brasil, e as inúmeras contas bancárias voláteis milionárias descobertas em instituições financeiras nacionais e internacionais. O processo é o mesmo. Só com ajuda da lavanderia bancária, é que o crime se desenvolve, e dá forma à poderosas organizações mafiosas.

Fonte: http://informacaoincorrecta.blogspot.com…rte-i.html

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