ÁGUA : EM BAIRRO POPULAR A CONTA JÁ CHEGA A R$ 1.200,00

FERNANDA TESTA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE RIBEIRÃO PRETO – reprod.p/Cimberley Cáspio

Contas de água em Ribeirão Preto com valores acima dos habituais têm se tornado comuns. Os casos mais recentes envolvem moradores do conjunto habitacional popular Paulo Gomes Romeo.
Acostumados a pagar pouco mais de R$ 100 mensais, eles receberam faturas emitidas pelo Daerp (Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto) de R$ 400, R$ 900 e até R$ 1.200.
Os valores são mais altos do que o das prestações das casas do conjunto -que é de R$ 101,70, segundo eles.
A Folha ouviu pelo menos 11 pessoas no Paulo Gomes Romeo, todos ex-moradores de favelas, que relataram a alta na conta.
A dona de casa Roberta Luiza Cardoso Souza, 31, foi uma delas. Depois de ter recebido a conta de dezembro de R$ 109,41, a do último mês trouxe o valor de R$ 900,12.
A indignação de Roberta é a mesma da auxiliar de serviços gerais Terezinha Maria Vieira de Santana, 43.
Ela recebeu uma cobrança de R$ 1.223,29. “Eu e meu marido passamos o dia inteiro fora. Como acontece um absurdo desses”, questionou.
A vigilante Dalila Souza Silva, 26, recebeu uma conta com valor menor, mas ainda assim alto: R$ 540,94. Como Terezinha, ela e os moradores de sua casa -a mãe e a filha- passam o dia fora. “Nem se eu tivesse uma piscina, eu iria gastar isso tudo.”
Já a manicure Eliana Rodrigues, 32, recebeu um boleto de R$ 30,11 e, no mês seguinte, o valor foi para R$ 684,69.
Ela conta que abriu um processo no Daerp. “Na última semana fui tirar a segunda via desses boletos e vi que nada foi resolvido, não deram baixa”, afirma.
Os moradores do Paulo Gomes Romeo reclamam ainda que o primeiro boleto emitido pelo Daerp teve o mesmo valor para todos: R$ 109,41.
“Liguei no Daerp e disseram que esse valor vinha embutido no hidrômetro”, afirma Dalila.
O contraste é ainda maior em relação às contas de água no Jardim Paiva, bairro vizinho ao Paulo Gomes.
Ao menos dez moradores afirmaram à Folha que as parcelas no bairro não costumam oscilar. Custam, por exemplo, R$ 40 em uma farmácia e R$ 113 em um salão de beleza.
A autarquia, no entanto, não explicou os possíveis motivos da alta. Disse apenas que os moradores com dúvidas devem procurar o Daerp para resolver os casos (leia texto nesta página).

DÍVIDA MILIONÁRIA

Não é só no Paulo Gomes Romeo e Paiva, porém, que moradores reclamam de preços abusivos. Um caso na Vila Virgínia chamou a atenção.
A cozinheira Lúcia Helena Buzao recebeu a conta do mês de fevereiro com o valor de R$ 28.919.931,53.
O Daerp, via assessoria de imprensa, disse que reconhece o erro e informou que, depois da correção no sistema, emitiu uma nova conta no valor de R$ 27,72.

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